Matheus Coringa, Galf AC e Noshugah em "Repulsa": Uma imersão no lado mais sombrio da sociedade

Em um movimento intenso e audacioso, Matheus Coringa, Galf AC e Noshugah se uniram para lançar a mixtape “Repulsa”. Com um título provocador e uma proposta artística igualmente intensa, o projeto mergulha nas profundezas dos dilemas pessoais e sociais, entregando ao público um som mais pesado e letras carregadas de simbologia.

Capa por: @bypdvrx

A Mixtape, que acaba de chegar às plataformas de streaming, vem carregado de críticas sociais com um tom mais radical, além de uma análise perspicaz da indústria musical contemporânea. O resultado é uma obra que provoca sentimentos de repulsa, como o próprio título sugere, enquanto convida os ouvintes a refletirem sobre os aspectos mais obscuros da vida. 

O que torna a mixtape “Repulsa” ainda mais impactante é a presença de ideias anti-imperialistas em suas letras. Em um mundo onde a luta por justiça social e equidade se torna cada vez mais urgente, Matheus Coringa, Galf AC e Noshugah não hesitam em abordar questões polêmicas e provocativas. As letras são um manifesto contra o imperialismo e o colonialismo, desafiando narrativas históricas e expondo as injustiças que persistem até os dias de hoje. Esta abordagem ousada torna “Repulsa” não apenas uma obra de entretenimento, mas também uma plataforma para discussões importantes sobre o nosso passado e presente.

 Matheus Coringa traz rimas marcantes e referências inteligentes, mantendo-se fiel à premissa do projeto. Suas letras mergulham nas complexidades do ser humano e da sociedade, atingindo o ouvinte com uma crueza impressionante. Por outro lado, Galf AC acrescenta versos sujos e habilmente construídos, com uma variabilidade de flows e métricas que mantém a experiência auditiva sempre envolvente. 

A parceria entre os dois MCs é notável. Eles se complementam perfeitamente, criando uma interação única que dá vida ao álbum e potencializa o impacto de suas mensagens.

 A produção de Noshugah merece destaque especial. Desde a introdução, com direito a sample de Marighella, o produtor oferece uma atmosfera sombria e criativa que se torna a trilha sonora perfeita para as letras densas dos MCs. Seus beats são uma parte intrínseca da experiência “Repulsa”, criando uma ambientação única que prende a atenção do ouvinte do início ao fim. 

 

Além do conteúdo sonoro, a capa da mixtape é um ponto de destaque. Ela faz alusão à obra “Inserções em circuitos ideológicos,” do renomado artista brasileiro Cildo Meirelles. O projeto de Meirelles envolvia gravar informações e opiniões críticas em garrafas de refrigerante retornável e devolvê-las à circulação. Essas mensagens só eram visíveis quando a garrafa estava cheia novamente, devido ao uso de tinta branca vitrificada. Em seu projeto “Coca Cola,” Meirelles chegou a gravar instruções de como fazer um coquetel molotov nas garrafas. 

A capa de “Repulsa” reflete essa ideia, com referências diretas à obra de Meirelles, enquanto a imagem principal retrata uma pessoa arremessando um coquetel molotov. Essa imagem não apenas dialoga com as letras dos MCs, que frequentemente abordam temas de revolta e descontentamento, mas também faz referência direta ao trabalho provocador de Meirelles.

Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola - Cildo Meireles 1970/1970

 A tape “Repulsa” é uma experiência profunda que desafia e envolve o ouvinte. É um lembrete de que a música, assim como a arte, tem o poder de questionar, provocar sentimentos e reflexões. Se você está disposto a mergulhar no lado mais sombrio da sociedade e da alma humana, “Repulsa” é um convite que não pode ser recusado.

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