Contracultura por Lucasbin

Sempre é interessante quando um produtor reúne um grupo de artistas para lançar um projeto, e desta vez não é exceção. O time montado pelo produtor lucasbin pode ser descrito como uma verdadeira seleção – e que seleção!

Foto por: @bru_flopes

Composto por; Pecaos, NEKTRASH, VERO, Cassol, Aka, AMAIZ, Kyle Fortes, Brasileiro, Nugê e $7RAGO, essa seleção artistas cumprem com maestria seu papel, cada um se destacando em algum ponto, seja nos versos, como Nugê na faixa “Remendo”, ou pelos seus vocais cativantes como faz VERO em Rua de Baixo. O time por si só é muito bem equilibrado, cada um dando um toque de duas características as faixas, observa se também uma boa distribuição entre manos e minas no projeto.

Somos introduzidos ao projeto com a faixa “Latino-Americano”, onde já se deparamos com uma batida envolvente, bastante “alto astral”, muito latino americana de fato. Pecaos despeja linhas criativas assim como NEKTRASH, mas AMAIZ se destaca pelos versos envolventes sobre a vida cotidiana, causando grande identificação e com uma energia muito boa. A partir daí, somos conduzidos por uma série de faixas que exploram uma gama diversificada de temas e emoções, desde a intensidade de “Olhares / Primeiro Limiar” até a melodia reflexiva de “Reflexo”. 

Logo após temos o interlúdio do projeto, “Londrina 94”, atuando como uma transição entre a faixa 1 e 3. Nele acompanhamos uma série de recortes de falas em jornais sobre cidades e acontecimentos que fizeram parte da vida do Lucas, como Londrina, São José dos Campos e Caraguatatuba, tudo em cima de uma batida envolvente com samples bem cortados e posicionados, como recortes de um vocal que acompanha o beat. Nesta faixa temos a oportunidade de vermos o próprio lucasbin contando um pouco de sua história através de um instrumental.

Em “Olhares/Primeiro Limiar”, mergulhamos em um clima mais intenso e sombrio, enquanto Cassol compartilha conosco algumas de suas experiências, neuroses e ambições, transformando-as em narrativas vívidas. Sua paixão pelo hip hop transborda a cada verso. A participação de VERO é uma adição marcante, elevando a faixa com seu refrão envolvente e trazendo uma atmosfera indescritível.

Foto por: @bru_flopes

Um dos pontos altos de Contracultura é a lírica de Nugê em “Remendo”, quarta faixa do projeto, que já chega desde o inicio como um grande impacto. O MC faz o melhor proveito possível do beat, nos apresentando rimas habilidosas e impactantes do início ao fim da faixa, sempre mantendo um tom enérgico, ele nos apresenta versos que, apesar da sua intensidade, transmitem conselhos e reflexões, em vez de provocação. Sua habilidade em equilibrar a agressividade com a mensagem é notável, tornando “Remendo” uma dos destaques no EP.

 

Na sequência, surge “Rua de Baixo”, destacando-se também como uma das faixas mais impressionantes em termos de habilidade lírica, vemos Kyle Fortes e NEK demonstrando maestria ao rimar em cima do beat, nos apresentando versos hábeis e criativos, cheios de referências. Cada um aproveita muito bem suas características e particularidades, desde rimas reflexivas e filosóficas, até rimas cruas e diretas. Além disso, os vocais de VERO contribuem novamente para a energia e atmosfera essenciais da faixa. 

Agora, focando em “Reflexo”, a penúltima faixa do EP, testemunhamos uma mudança de energia para algo mais melódico e sereno. O instrumental apresenta uma abordagem distinta e criativa, notavelmente mais experimental em comparação com o restante do projeto. VERO e Brasileiro se complementam de maneira impressionante, criando uma atmosfera singular. Exploram temas sociais e pessoais de forma mais suave, mantendo a qualidade dos versos sem comprometer a profundidade da mensagem.

O projeto se encerra com “Riscos”, com A-Ka, NEK e $7RAGO, uma faixa recheada de versos únicos e bem trabalhados, soando perfeitamente como um ponto final sólido e satisfatório para o projeto.

Contracultura se destaca não apenas por sua sonoridade inovadora, mas também pela meticulosa seleção de talentos que o acompanham. Este projeto reúne uma verdadeira constelação de artistas, cada um contribuindo com sua própria singularidade e habilidades, resultando em uma obra coesa e vibrante. Lucasbin demonstra mais uma vez sua maestria como produtor, desde a criação dos beats até o desenvolvimento de um projeto sólido, envolvente e consistente. Ele se afirma como um dos artistas de maior potencial na cena crescente do rap nacional, especialmente no boombap, mas sem limitar-se ao gênero. Além disso, o projeto serve como um verdadeiro radar de artistas emergentes, destacando talentos que merecem nossa atenção, e indicando que ainda têm muito a nos mostrar.

Texto por: Pedro Caetano (@ovulgocae)

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