A Mudança de Roteiro: Liberdade e Simplicidade de Pumapjl

Do vento na cara, o banho de mar, o pôr do Sol e a certeza de que os caminhos estão alinhados, as rugas na cara já não são mais tão evidentes 3 anos depois.

Se em Naturalidade o ódio no peito formava rugas na cara, em Autodomínio ouvimos sobre a liberdade em diversas facetas. As rugas se encontram com o vento, que faz com que você se sinta vivo. A ida a uma loja de grife e restaurantes caros, entrar em contato com novas coisas ou só a possibilidade de fugir te faz colocar outra lente para enxergar a vida, pois é como se ela, apesar de ainda ter suas mazelas, estivesse se mostrando mais gostosa de ser vivida. Não que antes não fosse, mas o conforto se tornou mais palpável.

Foto por: Barriguinha

Autodomínio é como se, agora, com todos os recursos que podem ser alcançados, seja possível tomar as rédeas, sem ficar a mercê do sistema, da sorte e do desespero inerente. É o privilégio de ver o Rio de Janeiro de cima se tornando recorrente. O luxo é poder aproveitar o fato de estar vivo, para além das grifes.

É olhar para o passado, lembrar de quem estava lá, de quem apoiou e mirar o futuro sabendo que ainda há muito a se percorrer, porém agora é possível desfrutar das belezas do caminho com mais tranquilidade, ao lado daqueles que realmente importam.

Mas, claro, sem esquecer que autodomínio é se deparar profundamente com seus defeitos também. Quando você toma as rédeas, você se responsabiliza. Entra em contato com o bom e o ruim. E como lidar com isso sem cair no desespero?

Foto por: Barriguinha

A dupla Puma e Sono é mais certa que a morte. A sintonia de ambos transparece nos trabalhos, entregando mais um trampo coeso em conceito, produção e estética. O disco flui com naturalidade, pois as músicas seguem um balanço bem similar — o boombap forte que te faz mexer a cabeça instantaneamente, sem nem pensar.

Outro ponto de grande destaque é a capa do disco: arte produzida pela artista Nihao em uma referência ao álbum autointitulado de Arthur Verocai, uma mina de ouro da música nacional.

Mais uma vez, Puma conseguiu falar do cotidiano de maneira extraordinária. É aquele sentimento de quando você repara o quanto a vida pode ser brilhante em uma quarta-feira qualquer, só porque olhou por uma perspectiva diferente ou porque se lembrou do quanto as coisas simples transformam. E é aí, com esse sentimento de grandiosidade ao lembrarmos do quanto somos pequenos, que temos a sensação de autodomínio.

Natália Ferreira

@nafferreira

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